quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Menina afirma ter sido vítima de um estranho sequestro-relâmpago

Adolescente conta ter sido obrigada a beber sangue em um suposto sequestro-relâmpago ocorrido na PE-15. Foto: Bruna Monteiro/Esp.DP/D.A Press

Estudante de 17 anos diz que foi obrigada a entrar em um carro e beber um líquido com gosto de sangue

Uma estudante de 17 anos, moradora de Paulista, na Região Metropolitana do Recife (RMR), está sendo medicada com coquetéis contra doenças sexualmente transmissíveis após relatar que foi obrigada a beber sangue em uma situação que ela garante ter vivido na tarde do domingo, dia 28. A menina conta que foi forçada a entrar num carro na PE-15, nas imediações do Hospital Central de Paulista, na Vila Torres Galvão, em um suposto sequestro de durou cerca de 30 minutos, e não teve testemunhas.


A adolescente – cujo nome a família prefere manter em sigilo – diz que foi abordada pelos ocupantes de um carro preto, de modelo não-identificado, que parou ao seu lado pedindo informações sobre como chegar em Olinda. “Uma mulher loura aparentando ter entre 40 e 50 anos, muito bem vestida, parecia perdida e desceu do carro para ouvir a explicação. De repente, ela me empurrou dentro do carro, entrou e o veículo começou a andar”, conta. A partir daí, uma sequência de acontecimentos estranhos é relatada pela menina. Segundo ela, dento do carro estavam outra adolescente, que não esboçou qualquer reação, um motorista e três gatos. “Os animais estavam inquietos, passando de um banco para outro. Às vezes, a mulher colocava um dos gatos em cima de mim”, afirma.

Em seguida, ela conta ter sido obrigada a beber um líquido avermelhado com gosto de sangue. Apesar de não ter visto armas no veículo, a menina diz ter se sentido muito ameaçada. “Só conseguia pedir para que não me matassem. Estava muito nervosa, chorando”. Pouco depois de beber o líquido avermelhado, o homem que dirigia o carro teria perguntado a sua idade. “Respondi que tinha 17 anos. Aí ele ficou dizendo ‘largue logo, deixe ela, não serve’”. Depois disso, a mulher teria pego alguns pertences da sua bolsa (documentos, celular, câmera fotográfica) e ordenado que o carro parasse nas proximidades do Espaço Ciência, no Complexo de Salgadinho, em Olinda. “Estava vazio e eu estava grogue, me sentindo estranha. Só lembro que andei um pouco, vi um ônibus PE-15 e entrei”.

Uma tia e vizinha da garota, que não quis se identificar, foi a primeira pessoa a encontrá-la depois dos supostos acontecimentos. “Por volta das 17h, a vi descendo a rua e achei que ela estivesse passando mal. Ela tremia, estava gelada, confusa e repetia que tinha sido ´pega´por um carro”, relata. Inicialmente, a família pensou que ela tinha sido atropelada. “Achei que um carro tinha batido nela. Fiquei procurando machucados. Ela só chorava. Só depois de um tempo ela se acalmou e começou a contar essa história”, recorda a mãe da menina.

Atendimento – Mãe e filha procuraram atendimento hospitalar ainda na noite do domingo. “Passamos por cinco hospitais e UPAs mas só conseguimos atendimento no Hospital Agamenon Magalhães, na Estrada do Arraial”, afirma a mãe. Lá, a estudante foi atendida em um centro especializado para mulheres agredidas e conversou com vários profissionais, entre eles um psicólogo. “Sei que a história é muito estranha. No hospital, um psicólogo perguntou se eu acreditava na possibilidade de delírio. Eu sei que já tive problemas como síndrome do pânico, o psicólogo também sabia, mas eu não tenho motivos para inventar essa história. A mulher ficou com algumas coisas minhas, não acho que uma alucinação teria causado isso”, argumenta.

A adolescente foi submetida à coleta de sangue para realização de exames, cujos resultados sairão no dia 12 deste mês. A médica, especialista em ginecologia e obstetrícia, receitou medicamentos preventivos a doenças sexualmente transmissíveis, como HIV e sífilis. No laudo médico que a família mostrou à reportagem do Pernambuco.com estão as prescrições dos medicamentos para os próximos 30 dias e a descrição de “possível ritual de magia negra”.

Na segunda-feira (29), mãe e filha dizem ter ido até a Gerência de Policia da Criança e do Adolescente (GPCA) de Paulista mas, como a adolescente ainda estava bastante abalada e confusa, teriam sido aconselhadas a voltarem apenas quando ela estivesse em condições para prestar depoimento. Até o fechamento desta reportagem, a família não voltou para prestar queixa, alegando ter medo de relatar o caso porque a autora do suposto sequestrou teria ficado com documentos da menina, onde estariam informações como endereço da casa e da escola, além de uma câmera fotográfica com fotos da família. Muito assustada, só ontem a adolescente voltou a frequentar a escola. Em casa e na vizinhança, a menina é descrita como tranquila, estudiosa e sem envolvimento com álcool ou drogas.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Defesa Social e com GPCA de Paulista. Ambas afirmam não ter informações sobre este caso ou sobre ocorrências semelhantes na área. A Secretaria de Saúde do Estado também não quis detalhar o atendimento prestado à adolescente porque o caso foi tratado como agressão e, neste caso, as informações não são divulgadas à Imprensa.(Diario de Pernambuco)

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