sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Renildo quer anexar área de Paulista


refeito de Olinda diz que gasta para atender moradores da cidade vizinha
Região localizada entre os municípios abriga cerca de dez mil moradores

Após três anos aplicando recursos de Olinda para atender moradores de Paulista, sem que a administração do município vizinho tenha colaborado, o prefeito Renildo Calheiros (PCdoB) pretende tomar uma medida extrema: anexar algumas áreas fronteiriças ao território da Marim dos Caetés. O comunista avisou, nesta quinta-feira (18), que irá procurar a Assembleia Legislativa e o Ministério Público para saber que providências poderá tomar. Porém, Renildo quer se reunir com o prefeito eleito de Paulista, Junior Matuto (PSB), para tratar do assunto, já que não obteve êxito com o atual gestor, Yves Ribeiro (PSB).

Durante entrevista à Rádio Folha FM 96,7, Calheiros revelou que há cerca de dez mil pessoas em bairros como Tabajara, Alto do Sol Nascente, Miriueira, Beira Rio e Rio Doce sem atendimento médico e até sem receber educação adequada, por isso está tomando a iniciativa de assisti-las. Segundo ele, a grande maioria se sente olindense, tanto que, conforme seus cálculos, 90% votam no seu município.

“Há 78 anos, Paulista pertencia a Olinda. E, quando foi feita a divisão e a independência de Paulista, ficou uma área que é limite entre os municípios, que ficou sempre muito confusa. O Ministério Público entende que é de Paulista, mas a população entende que é de Olinda. E o que acontece é que Paulista não oferece os serviços de saúde e educação à população”, disparou Renildo.

O prefeito relatou ainda que, desde o final do primeiro ano de sua gestão atual, enviou um documento à Assembleia Legislativa, informando sobre o problema e expondo a situação do município, que possui uma baixa arrecadação e que está custeando a demanda dessas áreas da fronteira. “Se for necessário um projeto de lei para corrigir e declarar a área como sendo de Olinda, então façamos esse projeto de lei. Porque, na prática, Paulista recebe o dinheiro relativo a essas pessoas, e Olinda é que paga a conta”, alfinetou, referindo-se aos recursos do SUS e Fundeb.

MORADORES

A reportagem da Folha conversou com moradores a respeito do problema. Em Tabajara, na verdade, trata-se de dois bairros: um em Paulista, outro em Olinda. Em ambos os lados da divisa, o clima é de muita insatisfação com as duas gestões. Do lado olindense, o presidente da Associação de Moradores de Cidade Tabajara e de Jardim Fragoso, Luiz Bezerra, criticou a postura de Renildo, e reclamou da falta de esgotamento sanitário. “Ele está se preocupando com voto. E Paulista de braços cruzados, achando bom. Ele está fazendo lá, e deixando de trabalhar em Olinda. É porque não temos oposição em Olinda, senão dava improbidade administrativa para o prefeito”, criticou.

Já o diretor da Associação dos Moradores de Cidade Tabajara (Paulista), Cristiano Francisco de Assis, disse que o bairro de fato é em Paulista, mas defende que a população gostaria que fosse de Olinda. “Aqui não existe uma passagem direta para o Centro de Paulista sem ter que passar por Olinda. E aqui o prefeito de Olinda ainda manda o carro do lixo. A saúde já se afastou um pouco, mas antigamente era Olinda que atendia”, contou.

A reportagem procurou o prefeito de Paulista, Yves Ribeiro, mas ele não atendeu às ligações.
(FolhaPE)

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